Apenas você

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Agora, quando recebi a notícia do acidente, em que morreram dois. Imediatamente lembrei que você estava vindo por essa estrada. E que eu ia, há algum tempo sentar pra te escrever esse texto. Agora, talvez fosse tarde demais.
Corri pro celular e só dava caixa. Odeio quando você faz isso! A incerteza dava dor no estômago. E a ansiedade era tamanha até finalmente ouvir sua voz. Que alívio! Você estava bem! Graças a Deus. Agora posso escrever meu texto em paz, antes que você resolva sumir de repente.
Afinal, você não se cuida, tá com sobrepeso, tem a pressão à beira do absurdo, come demais, e só come besteira. Além do mais, dirige da forma mais segura que um maluco dirigiria. Cola no fundo dos carros, tá sempre acima do permitido, se arrisca na estrada depois de ter bebido um pouco, mas a tranquilidade que eu sinto estando com você é completa.
Você é politicamente incorreto, meio mal educado, fala alto demais, finge ser mal humorado, às vezes chato e adora destruir minha autoestima. Mas quando me vê com um tom de voz abaixo do habitual, larga tudo pra vir me ver. Se percebe que alguma coisa está errada, não sossega até saber porque. Quando tem algum problema, e eu estou preocupada, você tem uma solução que me faz sentir bem, instantaneamente. Você faz tanta zuada, reclama tanto, fala tanta besteira, piora tanto a coisa, que me sinto bem melhor com meu problema. Então cala a boquinha e deixa o problema que eu resolvo!
Quando eu tenho dor, é a sua mão que eu quero segurando a minha. Quando estou sozinha, é você que eu quero me afagando os cabelos. Quando estou triste, é em seu peito que eu quero recostar. Quando estou feliz, é para você que quero ligar. Quando acordo, sinto saudades do tempo em que você estava lá. Quando vou dormir, me esforço pra não ficar muito tempo na cama, pra não dar tempo de sentir saudade do seu mal dormir. Aliás, dormir de conchinha é algo que só aconteceu em minha vida uma vez, e foi com você. Foi só com você que meu sono agitado encontrou paz pra dormir de conchinha.
Tá certo, eu sempre sonhei andar de mãos dadas e você nunca quis. Sempre adorei ficar abraçadinha em lugares sem censura, mas você tem vergonha. Eu sempre adorei café da manhã na cama e você fazia o café, mas nunca curtiu trazer. Eu sempre adorei flores e você se recusava a trazer. Em resumo, você não quer e nunca quis dar o braço a torcer.
Só que você me faz rir no momento certo, me abraça como ninguém, me olha nos olhos e me deixa ver através deles, a sua alma. E foi por sua alma que eu me apaixonei, há 12 anos atrás. Foi pelo menino que parecia um homem, mas tinha apenas 20 anos. Foram quase 10 anos juntos. Isso é muito tempo. Dois anos separados. Isso também é muito tempo. Talvez, tempo demais.
Sabe o que é que eu descobri, depois desses quase dois anos? Que em momento nenhum, você deixou de ser importante. Por isso não surgiu ninguém especial. Eu estava sozinha quando acabou, como ainda estou sozinha agora. Mas talvez solteira, tenha você mais perto de ser, o que me faria feliz. Talvez como amigos, tenhamos sido mais amantes que antes fomos. Mais companheiros. Fruto da incerteza, da inconstância. Tivemos longas conversas, sinceras, honestas que nos fizeram crescer muito.
Você me pergunta todos os dias, se eu te amo! Eu te amo sim, eu respondo, mas a gente não dá certo junto, você sabe! Sabe o que mais? Eu fantasiei os mais belos príncipes encantados, eu admirei as mais perfeitas silhuetas, mas é em você que eu me encontro em paz. É no seu corpo que o meu se encontra pleno.
Na verdade, na verdade, eu queria que fosse você, o homem perfeito pra mim. E agora, diante do susto, da possibilidade de nunca mais, eu resolvi te contar, o que se você não fosse tão turrão, já teria percebido há muito tempo.
By Cris Vaccarezza

Sonho de Valsa (Ou conto de Natal)

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Covardia tem nome? Não? Pode usar o meu! Era medo sim.

Naquele tempo, eu não tinha tanto tempo assim. E tinha um medo enorme de te perder. Por isso nem quis. Menti. Admito, era mentira quando eu falei que não queria mais. Mas era verdade que o momento ideal não era aquele. O mundo girou. A roda gira e agora vem você novamente e me confronta com a cor, a pele, o olho que eu nunca esqueci!
Porque você tinha que voltar com esse papo nesse Natal? Justo nesse Natal? Tinha você que me trazer um sonho de valsa, como o primeiro que me deu e me convidar pra dançar?
A gente não se vê todo dia? ou quase todo dia? Porque justo no Natal? Tô fragilizada! Não é justo!
Porque não poderia continuar disfarçado nos amores que fantasiava ter, nos musos que não passam de inspiração, nas noites insones de calor, nos meus sonhos?
Dizem que não se esquece um grande amor. Dizem que não se esquece...Será? Terá sido mesmo um grande amor de dez ou doze semanas? Tive muitos amores nessa fase, a grande maioria virtual, por que você tinha que se realizar? Quem sabe. Nem quero saber!
Só sei que você é o moreno mais lindo que eu jamais quis (tanto) chamar de meu!
By Cris Vaccarezza

Próxima estação: 2012

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Contagem regressiva. Nesse período é sempre assim. Todo mundo se abraçando, confraternizando, lembrando do próximo, do menos favorecido, lembrando do amigo, secreto ou não, do irmão! Todo ano é assim. Mas esse ano não!
Não que o mundo tenha mudado. Fui eu quem mudou. Não sei se é por conta de o ano terminar em um sábado, não sei por ter esgotado minhas forças esse ano tentando manter inteira a minha fé em Deus (e a mantive, inabalável. Mais forte até). Fato é que não estou muito animada pra esse final de ano.
Lembro que ano passado nesse período, eu estava de malas prontas pra 2011, que contava minhas aventuras e desventuras emocionais em um ano em que me descobri mulher, redescobri a pessoa que hibernava e que queria existir. Lembro que ano passado eu eclodira de larva a borboleta, após um retardo de anos e borboleteando, meio às cegas, perambulava em busca de flores em meio a espinhos.
Agora, às vésperas da virada, ainda me sinto como que no limbo de um Julho, Agosto, Setembro e não na ferveção veranesca de um Dezembro.
Anime-se, faltam apenas alguns dias para terminar esse ano que materializou em meu corpo problemas reais, que me mostrou os riscos, a proximidade das doenças do corpo. Esse ano que feriu, que não cicatrizou, que deixou cicatrizes visíveis. Que me confrontou com a face brava e por vezes injusta da justiça,  que me fez pagar o preço da minha procrastinação.
Esse ano me fez crescer e envelhecer 20 anos em um. Agora talvez eu tenha os 39 que a minha identidade atesta. Agora talvez eu mereça os diversos fios brancos que a fronte ostenta. Acho que até o princípio desse ano, eu tinha apenas 19 anos emocionais.
Vivia um tempo de descoberta, de princípio de independência, tempo de tomar as rédeas de minha vida em minhas mãos. Mas não tinha noção de quem era, ou quem poderia vir a ser. Era uma romântica.
Tudo em nossa vida são possibilidades, escolhas, caminhos, semeaduras. E se descortinam como um leque no momento certo. O futuro convida você pra dançar, mas não anuncia o ritmo. Você não tem o direito de recusar a dança. É levantar e acompanhar. Cada passo, uma decisão, cada sorriso uma escolha, cada rosto uma possibilidade. Ao escolher um caminho, abrimos mão de outro. Certo ou não, só o tempo dirá.
Esse foi um ano que comecei vivendo uma experiência de Alice no país das maravilhas, de viajar pela primeira vez sozinha pra longe, apenas eu e minha filha. Tempo de rirmos juntas, brincarmos juntas, dançarmos juntas, brigarmos juntas e nos tornarmos mais mãe filha, mais gente. A brincadeira terminou já na volta, com uma separação na família que desestruturou tudo. Um terremoto emocional que antes do tempo, desestabilizou o que eu achava que seriam meus dois pilares eternos, sob os quais emocionalmente eu me erguia.
Foi então que aprendi que agora em 2011, eu seria convidada a me erguer em minhas próprias pernas. E que chegara o tempo de começar eu mesma, a dar suporte a esses dois pilares, que com o tempo ameaçavam ruir, cada um em sua base. Seria difícil tentar consertar pilares divergentes. Ainda não consegui, mas eles estão de pé.
Assim 2011 começava a mostrar seu plano de unir três vidas, três mulheres, três gerações e seus conflitos.
Um ano de minimizar problemas que teimavam em chegar sem ser convidados, de aprender a lidar com meus sentimentos, de escrever minha história, de aprender a respeitar meus limites, de desapegar.
Tempo de perceber que ninguém pode ser idealizado, pois ninguém é o ideal. Que o que parece perfeito também pode falhar. Que o novo quebra, que manutenção preventiva nem sempre dá certo, e quando uma coisa tem que dar errado, não adianta, ela dá errado, você que tire lucro da lição; que aprenda a consertar. Descobri que imprevistos acontecem, e por mais que planeje, às vezes é inevitável se ausentar, se desculpar, falhar. Se isso não é usual, as pessoas vão compreender.
Que o jovem adoece, e que os jovens estão adoecendo emocionalmente, cedo demais pros anos que ainda lhe restam. Que quem parece inatingível, também tem seu ponto fraco. E que seu ponto fraco pode fazer o prédio inteiro ruir. Que os brutos também amam. Mesmo que não confessem de jeito nenhum, e com isso percam a beleza das cores, o perfume das flores e o sabor dos frutos.
Que ninguém vai sentir-se mais feliz com suas conquistas, que você mesmo. Que a inveja existe e é uma força destruidora. E que se você não se amar, ninguém vai te amar também de volta. E mais, que nunca, ninguém vai amar mais a você do que ama a si mesmo. Se parecer assim, desconfie. Tem algo de errado com ele. É preciso amar-se para ser amável.
Em 2011 aprendi que amigos vem e vão. São livres. E não importa o quanto você sinta falta deles, se decidirem partir, devemos respeitar sua escolha e continuar amando-os da mesma maneira. Que as interpretações são diversas sobre o mesmo assunto e ninguém está totalmente certo, ou errado. Nada é absoluto. Nem a verdade, cada um tem a sua e a enxerga, na medida que dá conta.
Isso me ensinou Janaína, que daria um capitulo inteiro, tantos foram os aprendizados nesses anos, tantas foram as coisas que nos inspirou a conquistar. Com seu doce ouvir, com seu enérgico falar, com seu riso encantador. Consegue unir as três histórias, as três gerações. Três pontas tão diversas de uma corda e trançar. É mesmo uma grande alma essa Janaína. Estímulo, nos momentos de apatia, freio aos excessos egoísticos, equilíbrio que nos mantém na estrada. Que me fez pegar a estrada, sem medo, viajar e chegar lá, com minhas duas meninas. Eu, sem medos? Quem diria Janaína!
Eis que chegamos aqui, avó, mãe e filha. Três gerações de mulheres, com seus desafios, tristezas, alegrias, aptidões e dificuldades, aprendendo a conviver juntas na medida do possível e a juntas, se proteger das intempéries da vida, fortalecendo-se mutuamente. Dois mil e onze propiciou a cada uma de nós, a oportunidade de vivenciar desafios, de chorar suas lágrimas, e secá-las com sorrisos.
A melhor notícia é esse ano sofrido, está chegando ao fim. E nós, chegamos lá! Não perdemos as esperanças, não sucumbimos. Sobrevivemos!
Que venha 2012, ano par. E traga paz ao que está em conflito, alegria ao que ainda entristece, alento ao que sofre, alimento ao que necessita, saúde ao que padece, discernimento para as horas difíceis e amor, muito amor para dar, vender, distribuir, emprestar, florescer, multiplicar!
Tudo em dobro, tudo aos pares, tudo pra todos!
By Cris Vaccarezza

O que eu queria te dizer...

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Eu queria te dizer alguma coisa, na verdade tanta coisa... Mas acho tão inadequado depois de tudo o que aconteceu, sei lá, parece que foi terminado, antes mesmo de iniciar.
Eu queria te dizer que eu não me apaixonei por você de graça. Não menospreze meu sentimento. Não foi sua forma física que me balançou. Talvez, tenha sido até um pouco culpa da forma física de você me tocar, de fazer seu corpo colar ao meu "sem querer" ou a química talvez... só talvez.
Mas sem dúvida foi sua inteligência que me chamou a atenção, seu jogo de cintura quando tudo parece ter dado errado, seu bom humor desenvolvido a marretadas da vida, seu carisma com o publico, sua habilidade de lidar com gente. Admiro sua inteligência emocional. Isso é paixão?
Foi o seu mistério que me fascinou. Mais do que o que seus lábios contam nos milhões de beijos que distribui abertamente por ai, é o que eles calam que me fascina. É essa sua dor anestesiada com beleza, é esse sentimento represado num sorriso que eu queria ver fluir até sarar. Eu queria sarar você. Queria te deixar em paz, te dar a minha paz. Trocá-lá por um pouco desse carinho que suas mãos agitadas precisam fazer. Seria uma troca justa.
Sei que a maioria das pessoas deve achar ridículo isso. Completamente non sense. Uma mulher madura, platonicamente apaixonada por um cara que jamais passará de uma ilusão ou uma decepção em sua vida, posto que não corresponde. Mas é a ilusão que me apaixona. Em verdade as coisas são tão mecanicamente sórdidas no mundo de hoje. É tanto se dar sem querer, é um tal de pegar, de traçar; deixem que eu me alimente de ilusões.
Olha, eu tenho convites pra um final de semana na praia, pra dois, que comprei pensando em você, num lugar paradisíaco. Convite que nunca vou te fazer, por medo. Você não iria aceitar, por medo.
Não sei que tipo de imagem distorcida as pessoas tem de mim, acho que assusto, de alguma maneira, fato é que as coisas nunca saem como deveriam...
O que eu queria de verdade? Eu queria te perguntar se você quer namorar comigo, nada de compromissos formais, só lealdade, respeito. Fidelidade é opcional. Sabe constância, frequência? Muito beijo na boca, muita paixonite boba, muita besteira sussurrada no ouvido. Algumas noites tórridas, mas isso é secundário. Importante é trocar afeto, cafuné, mão na mão, cheiro no cangote. Só por um fim de semana na praia. Era isso que eu queria...Mas como eu te falei, você não iria aceitar.
O problema é que o tempo está passando. Você está aqui, diante de mim, esperando que eu te diga alguma coisa, já que te chamei... Eu queria -finalmente pronuncio- te desejar um feliz Natal... E um prospero ano novo!
By Cris Vaccarezza

Sobre raposas, rosas e principezinhos

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Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar. 
- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante. 
- Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o princepezinho a fim de se lembrar. 
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas esternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa... 
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar".
(Antoine de Saint-Exupéry - Diálogo entre o Pequeno Príncipe e a raposa)


Estamos na estrada e eu, fone de ouvido conectado, me desloco para longe. Ida e volta, eu só conseguia pensar em estrelas, em raposas, em rosas, em pequenos príncipes de cabelo cor de trigo.
Viajo nos pensamentos, só lembrando da mensagem que recebi ontem; um trecho de "O Pequeno Príncipe" quando ele conhece a raposa, e através dela, o poder do cativar.
A raposa queria ser cativada, apenas para deixar de ser uma entre cem mil raposas iguais e se tornar especial a para o pricipezinho. Ela queria conhecer o som dos seus passos, esperar por ele, criar ritos.. criar laços.
Embora a raposa soubesse que o príncipe já tinha a sua rosa; que a rosa o cativara antes e que ele seria para  sempre dela. Que um dia, bem breve até, ele voltaria pra a sua rosa, ela quis que ele a cativasse. Ainda que soubesse que iria sofrer quando ele partisse. Ainda assim, deixou que ele a cativasse. Quando o príncipe teve que partir para encontrar a sua rosa, a raposa chorou, e ele ficou triste por ela. Mas a ela restavam os campos de trigo dourados, da cor dos cabelos dele para recordar.
Ainda que ele tenha voltado pra a sua rosa, foi a raposa que lhe ensinou a ser cativado e é dela uma das mais célebres frases do livro: "O essencial é invisível aos olhos. Só se enxerga bem com o coração" e "Tu te tornas eternamento responsável por aquilo que cativas".
Ontem me perguntaram o que eu procuro em sites de relacionamento. Não sei! Tenho consciência da busca, mas não o objeto dessa busca. Busco algo que ainda não encontrei, uma pedra rara, um diamante perdido que se destaque da multidão de caras e rostos iguais.
Talvez busque apenas uma raposa como eu, que também queira ser cativada. Acho que é isso que eu busco. To be tamed. Ser cativada. Pra ser especial, e não mais uma raposa qualquer. Quem sabe até, a rosa de alguém.
Alí, no meio da estrada, a noite caía já, e percebi que compreendia a rosa que o principezinho amava. Haviam cativado um ao outro. Compreendia também o princepezinho para quem a sua rosa era única. Mas me identificava mesmo com a raposa, que compreendia todo mundo, e preferiu sentir a dor da perda a não sentir nada. A passar pela vida sem levar bagagem emocional nenhuma.
Não! Prefiro malas entupidas de saudades dos abraços que dei, dos sorrisos que despertei, das lágrimas que rolaram e ainda rolam às vezes. Prefiro essa saudade ao medo de nada sentir.
By Cris Vaccarezza

Em nome do Pai

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Errar é humano. Todo ser humano erra. Dizem que Deus, que é um pai amoroso e bom, permite os erros para que se aprenda com eles. Deus respeita nosso livre arbítrio.
Então lembro do Cristo Jesus, que veio pregar o amor e o perdão às ofensas. Também ele estava repleto de paz quando vieram questioná-lo à respeito da suposta adultera. Que fazer com ela? A lei mandava que fosse apedrejada até a morte. Então Ele pergunta em primeiro lugar, se é possível adulterar sozinha. E em seguida, conhecedor dos rudimentos de consciência de cada um, ele propõe: Quem estiver livre de pecados, que atire a primeira pedra, e tranqüilamente volta a desenhar no chão. Um a um os homens que a julgavam e condenavam foram deixando as pedras no chão e se retiraram.
Jesus ensinou a não julgar pois não somos perfeitos, não conhecemos toda a verdade. Quando conhecermos, ela nos libertará. Então porque seguimos julgando?
Acho que esse é um aprendizado que ainda levaremos muito tempo para aprender. Talvez quando tivermos ciência da nossa ignorância e limitação enquanto seres humanos falíveis também. Ou quando tivermos a verdadeira fé que remove as montanhas pois confia nos desígnios de Deus. Talvez ai estejamos mais distantes do àtomo e mais próximos do arcanjo.
A tolerância do ser humano ainda precisa ser desenvolvida, e é em casos que causam comoção nacional que ela se manifesta. Frente aos erros dos outros.
Há erros difíceis de compreender pois são chocantes, despertam nossa ira e vontade de fazer justiça com as próprias mãos.
É claro que ha erros que não compreendemos porque tão cruéis. Sim, dói. E é nessas horas em que eu procuro trocar o ódio pela oração e peço a Deus que nos dê forças para superar os desafios.
Quando e erro é grande demais, injusto, ou praticado de forma covarde, a revolta canta alto em nosso peito. Então desejamos que o sujeito morra, que ele sofra até o ultimo martírio, que seja punido pelo seu ato, que seja banido da sociedade.
Desejamos que crueldade pior que a que ele praticou lhe seja feita. Se bateu, queremos linxar, se matou, queremos exterminar, se estuprou, queremos torturar. E eu me pergunto: em que somos melhores do que quem praticou o ato, se pretendemos ter a mesma atitude ou pior?
Pra mim, justiça real é a de Deus, mas como não percebemos, não cremos. Somos imediatistas demais.
Acho que só quando se conscientiza do erro, e se arrepende de tê-lo praticado, alguém começa a modificar a postura.
Desejar o mal a quem praticou um ato mal, é ser tão mal quanto ele. No dia em que percebermos que Deus não precisa de auxiliares em suas leis. Talvez nos tornemos pessoas melhores. A paz não é uma dádiva gratuita, é uma conquista diária de cada um de nós.
By Cris Vaccarezza

A roda gira

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Quando a roda girou, quando ele rodou, ela rodou, ficaram frente a frente. A mão dele arrodeou sua cintura, a outra, segurou firme a sua mão. Os olhos estavam fitados e o corpo dele, imprimia ao dela, postura firme, olhar altivo.
Ela era uma menina de grande idade, uma mulher pequena, de olhos negros como eram negros seus cabelos antes de chegarem (sem convite) os fios brancos que a tintura parcialmente escondia.
Ele era atlético, depois de longo período magro. Agora ele tinha o corpo estufado, o peito empinado, que intimidava os seios dela. Comprimia, roçava, provocava. Antes era só um tórax comum. Ele era um homem, embora em certos aspectos, insistisse em se manter um menino.
Quase saindo da faixa preferida de Balzac, ela tinha uma certa jovialidade. Conservava um ar de quem perdera poucas noites na juventude. Ele atualmente perdia noites de mais, não via sentido no sono, se seus sonhos, roubaram, tempos atrás. Ele buscava em vão, a sua cara metade. O sorriso escondia o que seus olhos gritavam. Uma tristeza distante, uma vontade calada. Um não sei quê de saudade.
Ele a achava uma mulher interessante, dona de um mistério que ele não conseguia penetrar, talvez a visse perfeita demais. Ela o queria justo em seus mistérios, queria os defeitos que ele teimava ocultar. Achava que ele era mais do que aquela aparência perfeita queria mostrar. Sabia que fora ferido, se interessava por cuidar. Nunca gostou de pássaros presos, mas se sentia impelida a proteger os mais frágeis, os pássaros feridos. Era advogada das causas impossíveis. Queria muito estar ali quando ele saísse do limbo. Achava que poderia ser seu beijo que o faria despertar.
Ele só queria encontrar a felicidade, a estabilidade, a tranquilidade que seu coração perdera tempos atrás.
No girar da roda, giraram também os dois, naquele momento eram somente os dois, feitos em um pela roda, a dançar.
Ele sorriu, ela sorriu, eles dançaram. Ele jamais imaginaria que ela o protegeria. Ela jamais sonhara que ele não a compreenderia. Eles se viam idealizados demais. A dança foi bela. Foi breve a dança. E no curto espaço de uma canção, eles se encontraram e se perderam um do outro.
A roda girou novamente, os corpos se afastaram por fim, as mãos não se davam mais. A roda é assim. Uns vêm outros vão, o ciclo se fecha e todos trocam de mãos.
Acabou, só no próximo giro.
By Cris Vaccarezza

Dentro do contexto

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"Você escreve como Clarisse", ele disse um dia num dos nossos longos papos cabeça. Tolice, Clarice era um ícone, um gênio, sou apenas mais uma alma inconformada com a orgia que fazem do amor! "Não" ele disse" falo que você escreve em terceira pessoa, como se estivesse ausente da cena" São seus olhos de amigo que me veem assim. É que você me vê com seu coração. E seu coração é doce, vê tudo aumentado. É meu jeito prolixo de dizer obrigada.
Mas com sua doçura de amigo, ele sabia compreendê-la, embora as vezes não entendesse suas atitudes apaixonadas. E nas tardes em que podiam conversar, trocavam a experiencia da maturidade pela juventude. Décadas de diferença, mas amigos não tem idade.
- "Pra que isso?"  às vezes ele dizia inconformado com seu jeito apaixonado de ser. "Você não está vendo que esse homem não te ama?" Eu sei, respondia, mas não me importa. Importa que eu quero por nós dois. E sabe do que mais, ele nem precisa saber disso! Ele nem precisa saber que eu fugiria com ele pra Nepal. Que eu faria um loucura por ele, que eu me entregaria de corpo e alma sem exigir nem mesmo exclusividade!" "Que absurdo! Falta de amor próprio!"
Pelo contrário, amigo, é excesso de amor. Talvez não o próprio. É vontade de distribuir, de doar emoções nesse mundo cinza que me acha estúpida, que acha idiota meu modo escrachado de sorrir sem vergonha, meu jeito infantilizado de ser feliz. Esse mundo que julga sem me conhecer, esse mundo que tenta diminuir o tamanho do meu amor, atribuindo a ele pechas de subterfúgios. Pensam eles, ela deve estar fazendo isso por carência, quer comprar o outro, seduzir e depois abandonar. Foram tantos os impropérios, amigo, que já ouvi nesse caminho, foi tanta topada nas palavras duras de quem a gente só queria compreensão, que meu pé calejou. Ficou duro! Mas nunca que eu vou deixar de caminhar! Minha alma continua leve, sem rancores, sem tristezas, só amor pra dar!
Eu sigo! Se eu quero, ele nem precisa saber. Eu mando anonimamente pra ele. Era só um presente, e eu mandei. Só queria que ele sorrisse. Sei que ele gosta de espelho. Que custa enviar um espelho pra ele se olhar? Se ele vai me ver por trás do espelho? Sei lá, amigo... problema dele!
By Cris Vaccarezza

Pelos, pra que os quero?

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Pelo que tenho visto, e me perdoem o trocadilho infame, a questão de pelos, ter ou não tê-los é hoje assunto recorrente e até motivo de discussão entre as gerações.
Que a estética vem mudando muito dos anos 70 pra cá, já se sabe. Naquela época, o auge eram os hippies, no stress, paz e amor, filosofia naturalista, onde os pelos não só eram tolerados, como liberados e desejáveis. Em ambos os sexos. Coisas da era de aquários que viria por aí. Quem assistiu hair não me deixa mentir. Do black power às virilhas e axilas, tudo era repleto de pelos.
Nos anos 80, a era New wave, multicolorida, trazia o glitter, o brilho e transparência. Trouxe também a política de pelo zero e as mulheres passaram a ficar lisinhas, lá pelos 90, aderiram à moda do Brazilian Wax. E hoje a política do pelo zero é a preferida das mulheres.
A questão é que atualmente, com o aumento da vaidade entre os homens, o início da depilação entre os esportistas, o advento dos metrossexuais, e a ausência natural de pelos que ocorre em alguns homens a moda generalizou-se. Homens agora se depilam quase que inteiramente.
Percebo que entre os adolescentes, mais que modismo. Isso é uma estética desejável. Mas eu, particularmente não curto muito homem liso. Acho que um tórax cabeludo tem seu lugar. Não precisa ser mata serrada, pode ser aparado, mas  liso também, não tem muita graça, principalmente quando naturalmente, os pelos tem um desenho harmônico, acho sensual.
As meninas me apedrejariam, mas ainda acho que gosto é o mais democrático dos resquícios da alma e defendo meu direito à preferir os mais peludinhos.
Pra mim, pior que um homem peludo é pelos por nascer, espetando. Ou faz depilação com cera, ou deixa natural. Em minha opinião, mulheres gostam de coisa macia, não lisa.
E os homens, o que preferem, com pelos, muito pelo, pouco pelo, pelo zero?
By Cris Vaccarezza

Em construção

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Olhava agora a vida de outro ângulo. E pensava como uma coisa ruim pode mudar toda a sua história.
Ela o tinha perdido, ou ele a tinha perdido, sei lá! Perderam- se os dois. Embora ainda houvesse o carinho, o respeito, e porque não dizer, o amor, já não eram um casal.
Embora vez por outra um fugisse para os braços do outro. Embora às vezes ainda se abrigassem do frio e da solidão sob o mesmo edredom, já não eram um casal. Ele sabia, ela sabia.
O que ninguem sabia, era do dia de amanhã. Certeza, certeza, não tinham, mas intuíam que nunca mais seria igual.
Sempre se viam. Quando um falava, o outro ouvia. Quando um recordava, o outro também se comovia: Nunca mais os domingos de manhã, nunca mais a emoção da primeira viagem de avião, nunca mais férias juntos na casa de praia, nunca mais a solidariedade de um, nos perrengues do outro. Nunca mais saber-se do outro... Isso doía um pouco ainda. Doía um pouco já, o nunca mais.
Separação é uma pequena morte. Ainda mais quando ainda resta amor, ou carinho, ou respeito, ou desejo, mas não há mais vontade.
Apesar de tudo isso, quase dois anos, sozinhos. E nossa, como estavam sozinhos... Ficaram, estiveram, mas não compartilharam, ainda se reservavam um para o outro. Continuavam sozinhos.
Quem os viu, quem os vê. Ele, o eterno playboy, o Peter Pan que se recusava a crescer. Ela, o patinho feio, a nerd workaholic que só pensava em trabalhar...quanta diferença!
Ele se firmou profissionalmente, ela aprendeu a dançar. Ele passou a interagir no mundo dos solteiros, virou o novo solteiro disponível. Ela aprendeu a dançar. Ele exerceu sua independência , aguçou a responsabilidade, a mediação, a tolerância. Ela aprendeu a dançar.
Ele se tornou o homem que sempre quis, ela, deixou a senhora sisuda de lado pra ser apenas a adolescente que sempre quis.
Como ninguém passa em nossa vida sem que deixe de herança um pouco de sí, e leve consigo um pouco do outro, ela era agora um pouco ele, e ele se via um pouco nela.
Dizer que o casamento deles não deu certo, seria um blasfêmia. Deu certo sim, apenas passou...
By Cris Vaccarezza

Testamento

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Deixo aqui, registrado e por escrito em testamento, distribuídas as coisa que realmente me importam.
Amigos, no dia em que eu cerrar meus olhos de carne, e minha alma despertar, peço que não aprisionem meu corpo em uma lápide escura.
Dele doem o que puderem doar, pra que a carne seja útil à carne, e o espírito, livre pra voar.
De que me servirão os olhos, na escuridão de um túmulo? Deixe que outros possam enxergar. De que me servirão pulmões, sem o ar para respirar? Deixem que outro possa de oxigênio seu corpo alimentar. De que me servirão um par de rins, se não haverá nada para fitar. Deixem que eles libertem alguém do cativeiro da diálise.
Doem tudo. Tudo o que puder ser aproveitado. Doem principalmente esse coração que se acostumou a tanto amor, a tanto amar.
Deixem que outros sintam que embora haja alivio e satisfação em receber, há uma alegria muito maior em doar. Se me querem por perto, não me aprisionem, não guardem, compartilhem, multipliquem!
Quero uma despedida de festa, pois a vida é apenas uma passagem. Um ato, no encenar da existência. Que tenha música, alegria e um violão, se alguém puder tocar. Toquem Legião Urbana, Marisa Monte, toquem musicas de amor,toquem músicas de paz. Eu estarei em paz! Não lamentem, não retruquem. Estamos nas mãos de Deus, e por isso, em boas mãos.
Depois, queimem o que sobrar, e joguem as cinzas no mar. Partícula por partícula, que a matéria retorne à origem da vida, à água, à renovação.
Quando eu me for, vou leve, com a sensação do dever cumprido, e a alegria de quem inicia uma nova jornada!
Pra vocês, companheiros de estrada, deixo a alegria dos momentos vividos. Pra cada um, deixo um sorriso, um abraço caloroso desses que dei e recebi. E levo a certeza de ter valido a pena!
By Cris Vaccarezza

Carolina

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"Ficar esperando, pra quê? Se não deves nada, além do acordado antes? Era só um sorriso, Carolina, era só uma flor! Esperar o que mais, se já foi além do esperado? "
Ei, psiu! Você ouviu? Isso foi para você de coração bobinho! Isso foi com você, menina que pensa que todo mundo é bom!
Sai dessa janela Carolina, que a outra morreu velha, na janela, olhando a banda passar, cantando coisas de amor! Morreu velha e amarga, Carolina, por saber que viveria eternamente no que poderia ter sido, nunca mais seria igual!
Se ele não percebeu que você só queria amar, proteger, acarinhar, fazer sorrir, paciência! Vai cantar atrás da banda, vai rodar pela cidade. Quem sabe existe alguém também desencantado que deseja o mesmo que você. Um sapato confortável pra um pé cansado como o seu?
Daí dessa janela, Carolina, você só vê as coisa à distância, só vê a gente perfeita, diferente do que realmente é! Fecha essa janela, Carolina. Abre seu coração, e vai atrás da banda! Quem sabe cantando, você não enche seu coração de alegria? Tira desse olhar o peso da decepção.
Veste seu melhor vestido, linda! Põe a sandália de dedo. Tá lá no fundo do armário! Dessa janela ninguém vê vestido, ninguém vê sandália, Carolina! Solta seus cabelos, abre esse sorriso! Vai ver o sol!
E você, por trás dessa cortina, ninguém vê! Ninguém nota a menina linda que você é! Somente o mais gaiato  viu. E como foi o primeiro a ver o que ninguém via, te pareceu o ideal. Do alto de seu palco iluminado, parou o desfile e ofereceu uma rosa à menina dos olhos mais tristes da cidade. A menina mais linda da festa. Só ele pareceu te notar, e veio embaixo de sua janela te jogar frases de amor.
O que você não sabia, Carolina é que isso é parte do show. Você só foi a menina mais linda da vez! Como ele era cruel! Não percebeu que você esperaria por ele todas as tardes na janela... Mas ele não vem, Carolina! Ele já foi! Partiu com o circo hoje à tarde, já deve estar pra as bandas das Gerais, sob outra janela, em que uma jovem tímida, se esconde atrás de uma cortina. Olhando a banda passar, cantando coisas de amor!
Vem viver, Carolina! Sai dessa janela!
By Cris Vaccarezza

Facebookeando

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Facebook é um negócio muito legal! É um diário compartilhado com o mundo. Em tempo real.
Onde os momentos da gente acabam sendo escritos a muitas mãos, enriquecidos pelos comentários de gente querida, que talvez não tivesse oportunidade de ver seus sentimentos tão momentâneamente expostos e dissecados. E que vez por outra, acaba te conhecendo melhor.
Em uma fração de segundo, uma reflexão, um sentimento, ganham o mundo. Ganham vida própria.
Coisa boa receber um curtir, um comentário de alguém querido que a gente não vê freqüentemente, ou mesmo de quem se encontra a toda hora. Ver sua idéia compartilhada em uma sexta feira de manhã. Se brincar, até ser cutucado é bom, faz bem pra a autoestima. Maravilhas da modernidade!
Eu fico pensando em quantas imagens distorcidas, em quantos julgamentos equivocados de caráter, feitos às pressas pelo costume que temos de julgar, essas atualizações de status, que deixam a vista um pedaço da alma, são capazes de começar a mudar. Algo do tipo: Nossa! Que bonito isso que ele(a) escreveu! Olha! Fulano tem sentimentos! Hum, beltrano pensa como eu! Basta perceber que julgamentos precipitados foram feitos pra serem alterados.
Quem sabe a longo prazo, usando essas ferramentas para o bem, não sejamos capazes de encontrar mais convergência de idéias que discórdias, passando a contribuir com a mudança que queremos pra o mundo.
Afinal, tudo muda na natureza. Bom, as pedras talvez demorem um pouco mais pra se modificar...Mas vamos lá! Dê uma chance ao outro, seu coração não é de pedra, é?
By Cris Vaccarezza

A dois

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Não sei se me sinto nas nuvens, ou  fisicamente destruída. Acho que um pouco dos dois. Sabe aquela fraqueza gostosa? Aquele estado de satisfação, cujo principal sintoma é um sorriso escandalosamente indelével? Pois é! Me sinto assim. Ontem me excedi, transgredi os limites do corpo, mas a sensação é indescritível.
Pernas, um dia as tive. A cintura preguiçosamente recusa-se a movimentos mais complexos. Braços fatigados, extenuados mesmo. Os abdominais, forçados, agora reclamam. Tudo dói prazerosamente, deliciosamente. Não estava acostumada. Foi uma overdose!
O corpo todo clama por repouso. Mas a cabeça está a mil! Relaxada, feliz!
O ato, por si, quando feito mecanicamente, já costuma provocar uma enchente de endorfinas, um bem estar completo e duradouro. Feito com o parceiro ideal, tem um efeito de plenitude ainda maior.
Quanto tempo esperando por uma noite e madrugada dessa. Mágica! Perfeita, muito cansativa, mas perfeita! Harmônica. Dois, unidos numa cumplicidade de movimentos. Rítmica, no tempo certo, na batida ideal, mais rápido, mais lento, pausa...conforme a música.
Do princípio ao fim, letra e melodia, tela e moldura. Cabide e vestido, perfeitamente dispostos em seus lugares.
Tiveram que despir-se completamente dos pudores convencionais. Encarar-se frente a frente com seus defeitos, vaidades e limitações, para só então se deixar levar pela magia do momento. Embora de vez em quando um erre, o outro conserta, embora um ou outro movimento estabanado ameace o resultado final, o corpo do parceiro é referencia e parâmetro. Fonte de movimento e porto de ancorarem em ondulatórios perfeitos. Estímulo e repouso.
Houve troca de olhares, cumplicidade, a sincronia ideal. As mãos se procuraram, se deram, deslizaram na medida certa e os corpos chegaram juntos ao êxtase final da música. Conforme esperado.
Dançar, é sem dúvida uma das mais perfeitas relações humanas.
By Cris Vaccarezza

Epidemia de solidão

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Achava-se sozinha, mais por opção que por desilusão, embora fossem muitas  pros sonhos que trazia no peito. Tudo bem que a grande maioria de suas paixonites eram platônicas, nunca dissera palavra aos pretendidos.
Mas não se sentia solitária. Gostava de estar só. Recusava-se a participar do que intitulara a festa do sabonete, onde as pessoas deslizavam-se velozmente, contra os corpos, de cama em cama. E ainda mais velozmente desapareciam ralo abaixo depois.
Achava que era uma romântica. Um dia acreditara em felizes para sempre. Um dia acreditou em terminar seus dias ao lado de um grande amor. Já não era o caso. Hoje acreditava apenas no hoje. Sem planos para o futuro.
Por outro lado, desejava companhia, carinho e constância. Não queria ser a bola da vez, o prato do dia. Não, ela sempre acreditou em sexo com intimidade. Acontece, que intimidade cria vínculos, cria afeto, e as pessoas estão cada vez menos afetivas e mais objetivas.
Tratam-se como objetos. Homens cada vez mais vaginocefalos (palavras deles) mulheres cada vez mais desesperadas, atiram-se aos seus braços como se gritassem salve-me de minha solidão.
Nenhuma critica. Ela também já estivera em cena numa dessas camas frias de motel. Ela também já estivera desesperada um dia. Sabe lá o que é querer um abraço forte, um beijo, um carinho e ter que fazer sexo pra indiretamente conseguir seu objetivo?
Claro que sabia. Todo mundo sabe! Vai dizer que nunca foi pra a cama por carência? E pior, chegar em casa vazio, sem nenhum pingo de afeto. Dois estranhos que estiveram juntos, ficaram juntos. Ou ficaram separados, serviram de objeto mútuo de prazer.
E nem nisso ela acreditava muito pois prazer pra ela também exigia relaxamento, que pedia cumplicidade , que recomendava intimidade, e isso, dois estranhos não têm. Ela não buscava perfeição, só harmonia de idéias. E não tinha pressa nenhuma.
Embora convicta, não conseguia deixar de sentir uma ponta de desesperança e sentir-se excluída quando recusava mais um convite de um corpo atraente. Era o ultimo dinossauro vivendo na terra, e era uma herbívora, nem um tiranossauro agressivo ela era.
Veredicto: Sozinha a dois, ou sozinha sozinha, preferia a segunda opção, que ao menos lhe deixava livre.
Surpresa foi perceber que muitas outras pessoas pensavam assim, mas se calavam por medo de ficar sós; se submetiam buscando um afeto onde jamais encontrariam.
Um exército de pessoas que perambula de bar em bar, que se joga na balada, se afoga em copos de whisky com energético procurando em outros corpos um calor que extinguiram.
Pacientes terminais de solidonite crônica, uma epidemia dos tempos modernos, onde o egoísmo e o hedonismo imperam. Zumbis que vagam nas casas noturnas, ávidos de sentimentos que os remova do limbo emocional.
Ficou realmente surpresa ao ver que mais e mais pessoas sinalizavam o incômodo de se sentirem sós após relações descartáveis. Sinal dos tempos, pensou. Pode ser que daqui a algum tempo percam o medo de amar e parem de banalizar as relações humanas.
Até lá, ficaria sozinha e em paz.
By Cris Vaccarezza

Encruzilhada

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E agora a sua vida se encontrava frente a vários caminhos. Tinha a incerteza no campo profissional. Tinha o campo afetivo que se bifurcava... E ela, na encruzilhada do destino, sentia que precisava escolher qual caminho seguir.
Seguir sua carreira solo, nesse mar se ilusões entre cafas e solteirões convictos, ou bons partidos que não lhe mobilizavam a vista, quanto mais o coração; ou voltar ao passado, reatar um nó numa corda já tão cheia de remendos com o melhor parceiro que já teve na vida, seu velho companheiro de jornada.
O que fazer? Que caminho seguir, que destino escolher? Que decisão tomar?
É um sério problema pra qualquer coração quando o destino te confronta com uma decisão a tomar. Dois caminhos, três, quatro possibilidades... o que fazer?
Continuar sozinha? Penso automaticamente nos casais que se completam e parecem feitos um para o outro. Eu me pergunto. Em que rua se encontraram? Em que momento marcaram aquele encontro? Em outras vidas, talvez? Deve ter sido! Pois são mesmo feitos um para o outro. Aí eu paro e penso, Meu Deus, com tantos solteiros por aí, qual dos rostos será perfeito pra mim? Então me pergunto, vale a pena seguir nessa estrada sozinha? Posso cansar antes de encontrar alguém.

Tô tão cansada! Desanimada mesmo. Passo os dias arrastados, como engolindo remédio amargo, esperando que amanhã seja diferente. Só por causa dessa expectativa, desse infindável esperar.
Pior, esperar pelo que nem sei se virá!

Voltar ao passado? Casar de novo? Resgatar as pontas que rompi? Depois de tanto tempo? Por que? Pra viver novamente o que já não deu certo? Pra estar com a pessoa com quem me sinto totalmente à vontade, antes de discordar o resto da noite? Não sei se consigo mais viver de reprise. Se os protagonistas são os mesmos? Será que ainda dá pra ter um final feliz? E se seguindo a gente acabar perdendo esse amor de amigo, esse amor de irmão que ainda nos envolve? Terá valido a pena?
Sento-me aqui nessa pedra e espero. Talvez por alguma criança que me fale a coisa certa. as melhores mensagens de Deus sempre vem pelas crianças. Elas falam com o coração. E enquanto sentada, espero, observo ao redor se não há outra explicação,
By Cris Vaccarezza

Ratoeira

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Quatro horas da manhã, deitada de costas, seminua, na sua cama, ela terminava mais uma noite do mesmo jeito... sozinha!
Lembrava do quanto estivera perto, da adrenalina que ele fez correr em suas veias, mas que de repente, do nada, sumiu como que por encanto!
Como é que ele podia se comportar assim? Mexia com ela de um jeito que não deveria. Ela sabia que era fake, sabia que era parte do ritual de sedução dele, que não era real, mas toda vez que ele estendia a ratoeira e acenava com o queijo, ela caia como um ratinho na armadilha dele: Ficava cheia de esperança, o coração batia a mais de cem. Fazia mil planos mentais de como seria sua noite aos beijos com ele: Será que resistiria? Claro que não! Quem resiste a esse choque térmico? Esquenta, quase derrete, esfria... quase congela! Haja metal pra isso! Haja fibra! Haja coração, pra tanta criptonita!
Recordava passo a passo da noite, pensando: Droga,, onde foi que eu errei?
Horas atrás, ela chegara com um pouco de ansiedade, típica de quem chega a uma festa e uma pontinha de desejo. Como ele estaria nessa noite especial? Era seu aniversário! Ele adora festas de aniversário. Sua família estaria lá, seus amigos também, a namorada dele, também estaria lá... Fazer o que? Quem disse que o mundo é perfeito. Ela não era, ele não era, enfim...Vamos respeitar. E ela respeitava! Mas olhar não tirava pedaço, e por mais que tentasse, às vezes, ela não resistia e olhava mesmo, discretamente.
Logo que estacionou o carro, ele estava na porta, tinha vindo cumprimentar outros convidados e também a recebeu com um abraço. Estava lindo...As always! Ela entrou, com aquela sensação de quero mais, mas o anjinho em sua cabeça gritava: "pára com isso! Olha o mole!"
Lá dentro, a decoração singela demonstrava o carinho que sua jovem namorada tinha por ele. Estava tudo decorado, balões, um lindo bolo. Eles formam um belo casal, sem dúvida. Resolveu que, pela jovem namorada, deveria tirar esse homem da cabeça, esquecer: -Ela é jovem demais pra tamanha desilusão!
Procurou uma mesa em que pudesse ver, sem necessariamente ser vista. Já tinha os amigos que certamente estariam alí e que a encontrariam, tinham combinado já. Não queria holofotes.
A surpresa é que a festa ainda não tinha começado, a música habitual não se ouvia e por isso ninguém abrira a pista. Já rolavam murmúrios e queixas. Quando a música começou os casais povoaram a pista, e a festa adquiriu seu espírito peculiar... (longo intervalo de tempo, contido entre parênteses) E a festa foi linda como ele havia sonhado!
De pé, fotografando o ambiente, não percebeu que também era fotografada, foi quando ele passou e sussurrou algo em seu ouvido. Era o gatilho. E sempre tinha um gatilho que disparava a metralhadora inteira, sempre tinha a gota que ele jogava discretamente, e que fazia o dique de emoções dela se romper. Mais uma vez estava a idiota, bilhete na mão, pronta pra entrar na montanha russa emocional dele.
É incrível, bastava um sussurro dele pra arrepiar sua alma! Como esse cara consegue ter tamanho domínio sobre um corpo que nunca lhe pertenceu? Juntou o resto de juízo, sacou o telefone, fez alguns contatos, pegou a bolsa e resolver continuar a balada em outro lugar. Afinal decidira, pela namorada, vou tirar esse moço de minha cabeça!
Mas qual?! Na saída, ao se despedir, sussurros insinuavam que ele não queria que ela se fosse. Ele a abraçou como só ele sabia, roçou sua orelha com os lábios e disse: - Me liga, eu quero ficar com você! Pronto! Bastou isso! Ser ou não ser, eis a questão!
Não vou ligar! Ela já sabia, isso não é certo!
Mas mandar sms pode! Quero ver até onde ele vai com isso... Mandou! Saíu dali o mais rápido possível com medo que ele respondesse. Partiu, foi pra outro lugar.
E agora? Longa espera, será que ele responde? A balada pegava fogo em outro bar, mas ela atentava para a resposta que não vinha! Nada, silêncio...
Quase duas da manhã, o famigerado celular vibra! Era ele: - Você ainda está aí? Tempo....pausa! Conta até dez, criatura, respira!... - Estou sim!
Ele chega, dono da situação, ela estava na pista de dança, fogo... quase um vulcão, era o ápice da montanha russa, o cume. Daqui pra frente não tem volta, seja o que Deus quiser! Ele se aproxima, meio sem jeito, e diz pertinho: Eu estou tão cansado hj, acho que vai ficar pra a próxima!
Como assim, cansado?! Pra dar um beijo?! Ela não disse palavra. Cerrou os olhos, por breves 2 segundos, aproveitou que alguém vinha falar com ele e girou nos calcanhares, rumo à mesa.
Chega! Por hoje já deu! Não conseguia acreditar, enquanto dirigia de volta pra casa, ele fizera mais uma vez! Rato na ratoeira! Bingo!
...Quatro horas da manhã, deitada de costas, seminua, na sua cama, ela terminava mais uma noite do mesmo jeito... sozinha!
By Cris Vaccarezza

A ex

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Há coisas que por mais que se tente, não se consegue superar. Essas são as coisas que não tem corpo, as dores que não tem uma origem física, e assim, não se pode aplacar. Muitas coisas doem nessa vida, mas a dor de uma saudade, de uma perda, de uma rejeição, do arrependimento, da solidão, não tem remédio que reduza. Há quem se anestesia, embebeda, se droga, se torna compulsivo, obsessivo... e há os que apenas sofrem.
Ela observava a sua inquietação. Hora levantava, hora sentava-se, hora convidava pra dançar, hora amuava num canto. Sucessos antigos tocavam sem parar. As pessoas se espremiam na pista de dança, e ele, simplesmente não queria estar ali.
Estava claramente incomodado. Primeiro por que aquele cara brilhava momentaneamente mais do que ele. Era o astro, o centro das atenções. Ora, mas ELE era o sol! Não estava acostumado a ser planeta;
E segundo (ele jamais admitiria) mas isso doia muito mais, aquele cara, era o cara da ex dele.
Ele nunca superou essa perda. Mesmo tanto tempo depois, era por ela, a ex, que ele agia daquele jeito. Ver aquele cara chamando atenção, fazendo sucesso era assinar um atestado de derrota: Eu a perdi.
Não tinha nem meia hora que ele havia saído debaixo dos refletores, há pouco, era ele quem brilhara. Mas ceder seu posto para aquele cara, logo pra ele? Ainda ter que assisti-lo era demais!
Há alguns dias, ele dissera quase ao seu ouvido, em situação similar: Coisa incrível, eu estar aqui, assistindo o sucesso do atual da minha ex! Que situação.... - Tempos modernos, meu caro! Acontece!
Então, ela, que intuitivamente sabia de todo o seu conflito com a ex, se colocou entre o palco fervilhante e ele, olhou no fundo do olho azul infinito e perguntou:
- Quando é que vai passar, hein, meu amor?
- O que? - Falou, ainda meio distraído
- Essa dor que te consome?
Ele compreendeu que havia sido pego. Ruborizou. E como ficava lindo rubro. Não sei se era de vergonha, ou de raiva, sei que ele baixou os olhos e a guarda.
- Eu não estou sentindo dor... só não tenho que ficar aqui!
Ela balançou a cabeça compreensivamente. Jamais venceria o fantasma da ex. Nem tinha a menor pretensão. Ninguém vence um ex. Ex é aquele que foi sem nunca ter ido. Se é ex, é mal resolvido. Se for meu ou minha ex, então, pode ter certeza de que está bem localizada entre os dois.
Quando passou, quando a história morreu, simplesmente acabou, fala-se o nome da pessoa sem qualquer problema, ou, na pior das hipoteses, denomina-se infeliz, enconsto, aquele ser de quem não falamos e outras denominações similares. Mas minha ex? Meu ex? Isso ainda era alguma forma distorcida de posse, de relação. Um tipo de fogo de monturo que ainda queima...
Ela também tinha o seu ex. Também tinha os fantasmas dela. Nunca conseguiu exorcizá-lo, como criticar?
Estendeu a mão pra que ele soubesse que ela (a atual) estava alí, sorriu um riso triste de cumplicidade.
Raros foram os momentos em que foram tão íntimos. Quando ele segurou a sua mão, ela simplesmente a levou junto ao seu coração: -Se, e quando quiser ir embora, é só me falar. Também não estou gostando da festa!
Ele compreendeu que ela era muito especial e que poderia contar com ela. Num abraço terno, enlaçou sua cintura e sussurrou no seu ouvido: - Vamos embora sim, não tenho mais nada o que fazer aqui. Vamos ser felizes, onde o passado não esteja tão presente. Façamos agora nosso presente. Chega de Flashback!

O bem e o mal

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Vivemos embalados pela dicotomia entre BEM e MAL. Na busca do equilíbrio trilhamos nossas vidas, tentados constantemente pelas más inclinações do "capetinha" e pelos apelos do "anjinho" interior que nos impele ao caminho do bem.
Eu particularmente nunca acreditei em demônios, ou em um demônio, diabo, ou coisa parecida. Nunca acreditei em ninguém que pudesse ter poderes similares aos de Deus. Pra mim, só há Deus! Só existe o bem. O mal é uma ilusão que criamos pra mascarar as nossas próprias imperfeições. E é justamente por ignorar os sentimentos dos outros que às vezes fazemos o mal. Pra mim, não há ninguém mal. Há apenas os que ainda não se tornaram bons. Nunca acreditei na existência do mal, da maldade, da perversidade. Apenas na ausência do bem.
Em minha cabeça, a coisa é descrita mais ou menos assim. Há um Deus, infinitamente bom, ao ponto de respeitar as nossas escolhas, pois sabe que somente a partir delas e de suas consequências é que crescemos em direção ao bem. Para mim, o bem é a luz. E o mal é apenas a ausência dela. deus não é vingativo, nem castrador, nem violento. Deus é PAI, educador, infinitamente bom.
O mal é uma ilusão! É fruto da nossa ignorância aos sentimentos alheios. Nós, seres humanos, como ainda ignoramos muito, ainda não somos bons, e por isso ainda existe o mal. No dia em que a humanidade suplantar a barreira do egoismo, e for capaz de sentir a dor do outro, não haverá mais mal.
As pessoas me falam, você deve estar louca! Como assim, não existe mal em um mundo onde um pai mata a sua família e se suicida, onde um louco entra em uma escola e mata crianças, onde há pessoas passando fome, onde crianças morrem à míngua na África, onde se mata no trânsito, onde mães jogam no lixo bebês recém nascidos, onde se pratica o aborto. Mas nada disso existiria se pensássemos no outro, nos sentimentos do outro, nos direitos do outro, se respeitássemos mais o outro.
Se pensarmos bem, somos nós mesmos que causamos o mal. E quando o fazemos, não estamos possuídos por nada nem por ninguém, além da nossa própria ignorância, egoísmo e falta de amor ao próximo. Mas culpar o demônio dá menos trabalho!
Pense em como você se sente quando ouve "Imagine" do Jhon Lennon, ele diz imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Interiormente você sabe, ele está certo! Mas dá tanto trabalho ser bom. Então por que deixar de fazer as coisas que me dão prazer? Por que perdoar aquele que me magoou? Por que eu vou dividir o pão com alguém, se eu tô com fome? Por que eu vou querer ser bom, se ninguém é bom comigo? Ghandi já dizia: "Olho por olho e a humanidade acabará cega!" É preciso haver compaixão, tolerância, compreensão, persistência no bem.
A propósito, existe escuro? Exite trevas, escuridão? Não! Fisicamente falando, não hã escuridão. Só há a luz e a ausência dela. Escuridão para a física é apenas a ausência da luz. O que acontece em um quarto escuro? Medo, pavor? E se você acender um fósforo em um quaro escuro? Todo o  ambiente se ilumina um pouco. E uma vela? Já teria uma luminosidade maior. Se acendermos uma lâmpada, tudo ficaria mais claro, se abrirmos a janela, o sol poderá extinguir as trevas.
Que possamos começar riscando um fósforo de bondade dentro de nós para que no futuro, esse bem cresça a ponto de extinguir completamente as trevas do egoísmo, da ignorância e derrotar o mal dentro de nós! Só acendendo nossas luzes interiores é que o mal, será extinto.
By Cris Vaccarezza

Jesus Cristo super star!

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 Jesus Cristo foi a maior luz que já passou pelo mundo. Ele era um iluminado! Conhecia a verdade, conhecia o verdadeiro amor! Se fez homem como nós para mostrar que era possível um ser humano se fazer bom!
Jesus Cristo, o nosso modelo, veio para ensinar o caminho, trazer a luz, educar. Mas ninguém o segue, todo mundo apenas o louva, como se dissesse: Ah, Ele era bom, vamos adorá-lo! Quando deveríamos dizer: Nossa, ele mostrou como fazer, era um iluminado! Vamos seguí-lo! Muitos foram verdadeiros seguidores de Cristo. Muitos foram os bons samaritanos. Muitos deixaram de lado seus desejos pessoais, apearam de seus cavalos um pouco para cuidar de um irmão ferido.
Quem são as grandes personalidades da humanidade? Vamos fazer um apanhado? Eu te convido a pensar.
São seres que pregam a mesma coisa, ou que fazem a mesma coisa em diferentes proporções. A humanidade tem costume de endeusar quem consegue fazer o que sabemos que nós mesmos deveriamos fazer, mas não temos coragem pra fazer. Não hoje, não agora, deixa que amanhã eu começa a mudança... E o hoje vira ontem, e o amanhã pode nem chegar. E a gente vai ficando, à margem de um caminho que nós mesmos escolhemos trilhar.
Vamos por em prática as orações que fazemos pra que um dia quem sabe, possamos realmente oferecer a outra face, a face do perdão, a face da compreensão, a quem nos agride.
By Cris Vaccarezza

Ignorância

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     É interessante perceber a arrogância e o preconceito com que às vezes nos referimos a quem ignora: IGNORANTE!  Mas se pensarmos bem, ignorância nada mais é que uma lacuna; um espaço a ser preenchido.
    Ignorância é a necessidade de aprender; e como ninguém sabe tudo, somos todos um pouco ignorantes a respeito de alguma coisa.  Eu por exemplo ignoro completamente física quântica; não faço idéia de como construir uma nave espacial. Há pessoas que ignoram a teoria dos universos paralelos, outras ignoram a existência de Deus, os sentimentos alheios...
    De toda sorte, o importante é ter consciência de que, mais que o "conhecer", que conduz a um orgulho pueril; É o "ignorar", que nos traz a humildade de querer aprender.
    Tão infantil quanto acreditar que há príncipes encantados e princesas de contos de fada,  o estereótipo do perfeito, é não acreditar que somos perfectíveis.  Tá bom, o mundo anda complicado! As pessoas às vezes são bem difíceis, mas todo mundo pode mudar, desde que perceba que precisa aprender mais, conhecer melhor, ver de uma maneira diferente.
    Ninguém é o dono da verdade. Aliás, se pensarmos bem, o que é a verdade ? A verdade é a mais relativa das realidades. Muda de acordo com quem a diz, com os fatos, com os argumentos, com os fins, que muitas vezes justificam os mais escabrosos meios.
    A verdade é muito relativa para ser considerada conclusiva, até que se conheça todos os fatos. Nada é absoluto! Frente ao universo desconhecido, nossos conhecimentos são uma quimera.
    Só de pensar no quanto desconhecemos, deixamos nós de ser um pouco ignorantes.  Sim, são as perguntas que movem o mundo.
    Pare, pense, questione-se. Seja a mudança que você espera para o mundo!
By Cris Vaccarezza

O que é meu? (ninguém tasca)

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    Parece que o ser humano é, por natureza, desprovido de satisfação. Nunca nada lhe basta. Se tem cabelos lisos, os queria ver cacheados, se é alto, gostaria de ser menor, se baixo, queria ter mais altura; sua conta bancária nunca está satisfatória, seu corpo não lhe agrada, e o peso então, é alvo frequente de queixas.
                A felicidade do homem reside em simplesmente ter o que não possui. Em conter, em dominar, em limitar. Deseja o impossível, a perfeição. Damos a isso o nome de sonhos, quando na verdade a perfeição é utópica.
               A vida se restringe, a grosso modo, a uma sucessão de tentativas de conquistar mais e mais coisas. De ter bens, de possuir pessoas, de adquirir estabilidade... tudo em vão. Afinal, o que são bens? O que é estabilidade? O que tem valor? Quais os nossos valores?
              Pense bem, a casa que você está em seu nome, o carro que você quitou, o chalé na praia, a fazenda, o jatinho ou o puxadinho, alguma dessas coisas é realmente sua? E antes de responder, lembre do que acontece nas áreas devastadas pela força da natureza. Quanta destruição. De quem é aquilo tudo, ou aquilo nada, depois de um vendaval, um tufão, um tsunami? O que resta se não a solidariedade, a força pra recomeçar que um dá ao outro, e que se desenvolve nessas tragédias?
              E o seu amor, seu namorado, a esposa, o amante, o ficante, o rolo ou coisa assim? É seu? Se é seu, será apenas enquanto for de comum acordo, enquanto esse ou essa quiser doar o seu amor pra você. Depois, queira você ou não, será de outro ou outra, e a vida segue. Ninguém é de ninguém! Ciúmes pra que?
              Seus filhos, aquelas doces criaturas que você pôs no mundo e viu crescer. Quem já os viu crescer, deve saber que eles não são e nunca serão nossos. Como diz Gilbran Kalil Gilbran, "são filhos da ânsia da vida por si mesma, vêm através de nos, mas não são nossos". Mais cedo ou mais tarde, criam asas e alçam voo rumo aos seus próprio sonhos. São filhos do mundo, são filhos de Deus! E é um erro criarmos como se fossem nossos, pois corremos o risco de por excesso de zelo, cortar as asas que Deus lhes deu. Quando a vida exige, não estão prontos para voar.
             Acho desnecessário discutir a posse do dinheiro, que na mão, já se sabe, é vendaval. E esse ainda, muito pior, não lhe podemos possuir, mas ainda pode se tornar nosso senhor, se superestimarmos seu valor.
Na verdade, na verdade, nem a nossa própria vida nos pertence. Nos foi dada por Deus, toma o rumo que deve tomar, às vezes nos foge às rédeas, nos confronta com caminhos tortuosos, que tentamos evitar, mas  teríamos que trilhar. Nem a morte é nossa. Posto que a vida não nos pertence, também não é nosso direito tirá-la. Nem a do outro, nem a nossa. É um grave engano achar que dispomos da vida ou da morte de alguém.
             Nada, absolutamente nada do que podemos ver, tocar, ou guardar nos pertence. Talvez, o que podemos sentir, ouvir ou cheirar, nos possa ser guardado na memória. Mas a memória, também cedo ou tarde pode nos ser tirada por efeito de alguma doença, ou da senilidade. Enfim, quando aqui chegamos, nada trouxemos, e é assim que chegaremos do lado de lá.
            Não se iluda, pensando possuir alguma coisa. Nada é nosso. Tudo o que "temos" nos é emprestado para que façamos o melhor uso, são ferramentas do nosso aprendizado. É inútil querer possuir coisas, pessoas. A única coisa que temos é o que podemos dar sem limites: A impressão que causamos na outra pessoa, essa é nossa. O beijo que damos ao outro, esse é nosso, é nossa marca. E algumas marcas são bem difíceis de apagar. O carinho, a amizade, o afeto, a dedicação, a atenção a solidariedade, esses sim são valores dos quais devemos tentar nos fazer possuidores. Sob pena de tornar a humanidade cada vez mais dependentes do álcool, do tabaco e dos demais anestésicos lícitos ou ilícitos para a dor de não possuir.
           É preciso que nos conscientizemos de que o único bem que possuímos é o bem que podemos fazer ao outro. Só é nosso de verdade, aquilo que podemos passar adiante, sem deixar de ter. Que dia após dia, nos esforcemos para possuir uma alma mais nobre, um sorriso mais franco, um coração mais puro, mãos mais dispostas ao auxílio e braços mais e mais capazes de abraçar!
By Cris Vaccarezza

Carta aberta a um ausente

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           Esse é inteiramente pra você. Se sinta, você é especial, publico aqui essa carta aberta porque ao contrário de um bando de acéfalos que não lê, sei que você lê! Mais que lê, escreve. E que vira e mexe está por aqui, ou pela velha Salvador, nua e crua.
          Saudades de você, dos nossos longos papos cabeça, sem pé nem cabeça, da louca intimidade que formamos sem nos conhecer.
           Você sumiu da minha tela! Sei que está tentando me punir! Sei que essa recusa te parece algo pessoal. É pessoal, mas é comigo! Não com você! Eu diria que "o problema é comigo" se considerasse um problema as minhas convicções, então diria, a certeza é comigo, mas o que é certo nessa vida de surpresas? Enfim, o que posso dizer é apenas: Não me odeies por te deixar, antes mesmo de te pertencer. 
           Compreenda, o ser humano sempre preferiu um inimigo velho a um amigo novo. Todos preferem estar com os velhos defeitos, que já conhecem, a buscar novas qualidades. Também eu, sou assim.
           Desculpa se de alguma forma te castro. Se firo sua vaidade por não querer ser vulgar. Mas prefiro não ser mais um sabonete em suas mãos. Mais um sabonete comum, usado e esquecido numa pia qualquer. Não nasci pra ser sabonete, contraria meus princípios. Sou careta, do tipo que ainda conta nos dedos, sabe? E ainda tem muitos dedos nas mãos pra contar. Já tô velha demais pra os novos costumes.
            Preciso de paciência, amor, preciso de tempo. Não curto aventura, não gosto de Rali. Não gosto de nada terminado em "inha", fugidinnha, saidinha, namoradinha, ficadinha, escapadinha, rapidinha. Não nasci pra piloto de test drive. Quero comprar o carro inteiro. Só experimentar pra mim é pouco. Procuro constância! Eu quero e quero mais de uma vez. Sou curiosa, mas não tanto assim, não preciso conhecer de tudo um pouco pra saber que a diversidade existe. Já sei o que preciso fazer para me sentir bem, e pular de cama em cama não está entre as coisas que eu sei fazer direito.
            Gostei de você. Não é mentira. Isso poderia ter dado um romance, mas resultou num conto, fazer o que? A literatura tem dessas coisas. Não precisamos deixar de ler por isso.
            Tudo na vida são fases, e eu acho que estou numa de calmaria. Isso é bom, pois temos a chance de nos conhecer na parte que mais nos interessou, no campo intelectual. Isso é o que mais me atrai em você, sua inteligencia. Não quero conhecer o que me fará deixar de gostar de você, seu famoso lado "cafa". Podemos ficar assim, seja o amigo comigo, o assexuado, e com as outras seja o "cafa", não me  incomodo, só quero ser exclusiva no que realmente importa, em seus pensamentos quando lê, discute, pirraça, discorda, concorda e interage comigo, no resto, todos os homens se não forem iguais, são bem parecidos.
           Gosto de você, no que mais me interessa, uma parte da sua anatomia oculta aos olhos da maioria, seu intelecto, sua personalidade, não preciso deixar de ser virtual pra isso, ou corremos o risco de entre fogos de artifício, como a pólvora, simplesmente se consumir e aniquilar-se, deixar de existir.
           Não me odeie se te preservo das efemeridades. Se serve de consolo, você, eu queria que durasse.
Pos Cris Vaccarezza

Silêncio

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Silencio... Um silêncio ensurdecedor entre minha página em branco e eu. E por mais que eu tente, por mais que eu queira, nada flui desde que resolvi não falar mais de sentimentos e deliberadamente coloquei meu coração no freezer.
É como se por vingança, a fada das letras tivesse tirado de mim a capacidade de escrever. Toda vez que congelo meu coração, meu cérebro é feito refém. É como aquele casal que separa e a mulher que se achava dependente, que pensava que morreria se o relacionamento acabasse, de repente, abandonada, se liberta e o homem que clamava por liberdade definha ou entra numa espiral autodestrutiva.
Meu cérebro masculino, prático, inteligente, imparcial, zombava da subjetividade do meu coração. Mangava dele, chamava-o de idiota  infantil, passional. Queixava-se de ter que coexistir com ele. Odiava suas decisões erradas, seu sim quando queria dizer não e o não quando poderia ter dito sim. E o arrependimento? Ah! Não tinha paciência para quando o coração vinha falar de si, quando se abria, com suas duvidas e questionamentos a respeito das atitudes, do que poderia ter sido. Ele odiava isso. E me acusava de sempre ouvir o coração. Quando tudo dava errado, ele se recusava a mandar uma lágrima sequer aos olhos, cruzava os braços e emburrava como derrotado em seu canto lá em cima. "Coração idiota! No fundo, um fraco!" resmungava ele.
Cansada da querela e de curativos sucessivos no coração teimoso, meu cérebro me convenceu por A+B e resolvi mandar o coração para uma temporada no Alasca, apertei a tecla mute, o deixei sem palavras. Já sem coração, tranquei-o no freezer e achei que assim, seria feliz. Afinal, sou uma mulher moderna, bem resolvida, quem precisa de sentimentos, quem precisa de coração? Bonzinho só se ferra!
No fim, meu coração manda avisar ao todo poderoso, que quem manda nessa joça é ele. Que queira ou não, eu fui feita pra amar. Que coração ralado é melhor que coração no freezer, que esse postura blasé é completamente ilusória e que viver uma vida morta e não viver são quase sinônimos, como vias paralelas de uma mesma estrada. O que te poupa de lágrimas, te acresce em apatia e tédio!
Viciada em joguinhos que não me levam a lugar nenhum, troquei os bate papos até a madrugada pelo silêncio das janelas de chat, pelo silêncio emocional. Eu sumi! Dei um tempo.
Desculpas, terei aos montes, e elas até tem sentido, preciso dormir mais cedo, preciso ter mais tempo para outras coisas, preciso mudar de conduta. Mas apesar de terem sentido, nenhuma delas tem mais qualquer sentimento. Eu os matei em mim. Tá bom, não conseguiria matá-los, eu os anestesiei com Cityville, eu os embebedei de House... eu sai da dança. Me afastei do que me fazia "mal".
Mas continuo dormindo tarde, atrás de metas que não tem fim, continuo não tendo tempo para trabalhar pois o cérebro entrou de férias junto com o coração. Duas faces da mesma moeda, um não vive sem o outro. Vendo seu oposto baleado, o outro não vê sentido em sua existência unilateral, definha e morre também.
E o resultado é esse silencio estéril. É esse intervalo branco, essa ausência de mim mesma que não sei quando volto!
Até quando eu voltar!
By Cris Vaccarezza

Montanha Russa

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Pra mim, relacionamentos são uma experiência cheia de altos e baixos, emoções fortes e conflitantes, como uma montanha russa.
Primeiro, enfrentamos uma fila absurda para embarcar, invadidos por uma expectativa imensa. Você olha pro sujeito ao seu lado e suspira: Vamos enfrentar tudo, juntos!
Daí vem uma sensação estranha quando começa a caminhar. A paixão aumenta, como o carro da montanha russa que começa a se mover, puxado por uma corrente de sensações agradáveis, afagos, carinhos, a temperatura começa a subir. Dá um frio na barriga por toda a subida e a gente se vê inundado de neurotransmissores, feromônios... Se sente nas nuvens. Quando chega ao alto, o clímax. Tão alto que a gente pensa que vai chegar ao céu. Tem a impressão de que pode tocar a mão de Deus. Aperta o cinto pra crer que é real, se segura na cadeira pois sabe que vai flutuar... Daí em diante, é ladeira abaixo, uma descida vertiginosa que você não sabe se ri ou se chora, se se arrepende por ter entrado ou se xinga aquele amigo que incentivou.
Depois, entre dois loopings malucos que viram sua vida de cabeça para baixo, deixam tudo fora do lugar, você passa a ter a certeza de que não deveria ter entrado naquela barca furada, ainda mais com aquele maluco ao seu lado. Por fim, depois de muitos abalos e sustos, e alguns períodos de estabilidade, o troço começa a desacelerar, esfriar, até que freia de vez. Ponto final. Ufa! Terminou! E você sai daquilo tonta, enauseada e se perguntando o que raios foi fazer ali. Jura de pés juntos, que enquanto tiver um pingo de juízo, nunca mais entra em outra daquelas outra vez!
Mas sabe o que é pior? Daqui a mais um pouco, você esquece a experiência, e lá está você de novo, na mesa de algum barzinho, comprando bilhete e enfrentando uma fila quilométrica para passar pela mesma experiência novamente.
Sabe o que é que vicia nesse troço? Adrenalina!
Por Cris Vaccarezza

Diálogos cotidianos

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-Oi!
-Oi!
-Tudo bem?
-Td ótimo!
-Não pude deixar de perceber sua beleza! Vc vem sempre aqui?
-Não, se viesse, provávelmente vc já teria notado.
-E quem disse que eu venho sempre aqui?
-Sua abordagem... É típica do local. Nada original.
-Será que nós poderíamos nos conhecer melhor?
-Sabe que eu estava me perguntando quando é que vc iria usar essa frase. Se antes do "Posso ter seu telefone?", ou depois do "só me aproximo de pessoas interessantes".
-Nossa! Vc está de mal humor?
-De forma alguma. Apenas um pouco cansada dessa fórmula masculina. Como vc notou,e afirmou, eu sou uma mulher bonita. Ouço isso com frequencia. Infelizmente, a beleza parece ser a única coisa que os homens percebem ultimamente. Estão se tornando primários!
-Não é verdade! Já deu pra perceber que você é uma mulher inteligente.
-Ora, obrigada! Finalmente um elogio que se não for sincero, ao menos é real.
-Que bom que finalmente eu disse algo que lhe agradou. Mas e então, vamos nos conhecer melhor?
-Já não estamos nos conhecendo?
-Não, eu digo melhor...
-Depende: O que você chama de me conhecer melhor? Me levar pra a cama, ou... me levar pra a cama?
-Nooossa, vc é bem direta!
-Como eu te falei, estou meio cansada. Poupa meu tempo e o seu.
-Não é exatamente isso que eu queria.
-Ahh Não? Ora, isso é realmente surpreendente!
-O que eu posso fazer pra você ficar menos cansada?
-Sinceramente? Um papo menos invasivo e menos clichê já seria um bom começo. Sabe, vc é um homem bem interessante. Mas o papo relamente não está condizente com a aparência.
-Por que voce está me tratando com hostilidade?
-Desculpa, nunca foi minha intensão ser hostil. É que eu realmente saí pra me divertir, fazer amigos. Não pretendo arrumar sexo casual hj.
-Êpa?! Mas quem disse que era essa a minha intensão?
-Não sei... talvez seu olhar no meu decote...
-Eu nunca vi uma mulher tão inteligente por aqui.
-Sério? Vai ver que não reparou direito!
-Não, é sério! Mulheres normalmente não tem essa sua forma tão...
- ...Lúcida?
- ... é, eu ia dizer, direta de pensar. Mas lúcida realmente define melhor.
-Pois é, 39 anos de convivência com homens, de meu pai a meu ex-marido. Eu tinha que aprender alguma coisa!
-Olha, estou impressionado! Realmente, mulher com sua clareza de pensamento estou pra ver.
-Está enganado. Muitas pensam como eu. Mas não tem tempo de dizer o que pensam. A estratégia masculina de  confundir, seduzir e deprezar não dá esse tempo a elas.
-O que você espera encontrar em um homem? Já que não quer sexo casual, quer casar?
-De forma alguma! Já casei 2 vezes. Terminei os dois relacionamentos pq não estavam tomando o rumo que eu imaginava.
-E o que quer então? Um namorado?
-Não quero rótulos. Não estou preocupada com o nome que vou dar ao meu relacionamento. Quero um homem que me mereça. Que se dê ao trabalho de me conhecer. Que possa compreender o meu valor. Quero alguém que se ache valoroso a ponto de respeitar o meu carinho, o meu respeito e se esforçe para merecê-lo. Não quero ceninhas idiotas de possessividade. Não quero colocar regras ou rédeas em ninguém. Amo a liberdade, tanto a minha quanto a do outro, portanto, se alguém quiser ficar comigo, tem que provar isso todos os dias. Não pra mim, pra si mesmo. Quem quiser ficar comigo, terá que ficar porque quer, porque algo além da minha aparência o fascinou. Porque quer SER, não porque quer TER. Discernimento. Acho que essa é a palavra. O mundo está cheio de belas mulheres. Basta olhar pro lado. Você poder TER todas elas. Mas pra SER algo comigo. Tem que ser bom! Tem que ter discernimento.
-Estou impressionado!
-Não fique! Fique feliz, o mundo está bem favorável pra vcs homens! Foi um prazer conhecer vc! Mas só um toque, quando se aproximar de uma mulher, procure ser mais você e menos fórmula. Fórmulas te ajudam a resolver problemas padrões. Mulheres não são equações de álgebra!
By Cris Vaccarezza

A cadeira vazia

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Uma amiga me contou outro dia, uma história interessante. Contava que um dia há alguns anos, estava numa fase contemplativa e de autoconhecimento, e teve aqui na cidade um show de um cantor que ela adorava. O cantor estava em início de carreira, mas o show estava bem frequentado. Não estava lotada a platéia, havia alguns lugares vazios. Ela me contava com certa amargura que não conseguiu sequer uma amiga que pudesse acompanhá-la ao evento. E como estava sem namorado, resolveu ir só mesmo.
O teatro foi enchendo, e na plateia quase cheia, justamente ao seu lado, ficou um lugar vazio. E isso a incomodava. Pessoalmente, fiquei feliz de saber que eu não sou a única pessoa a me sentir rejeitada quando fica uma cadeira vazia ao meu lado. Dá uma tremenda sensação de vazio. Poxa, mas logo ao meu lado, ninguém quis sentar? Sei lá, chame de grilo, paranoia, mas que essas ideias me batem, me batem. Que bom que não sou eu que penso assim.
Ainda que triste, qual não foi sua surpresa quando durante o show, o cantor desceu do palco, com uma rosa nas mãos, e cantando em sua direção sentou-se na plateia justamente onde? No único lugar vazio que havia. Ao lado dela. Cantou pra ela. Deu a rosa a ela. Dedicou alguns minutos do show para ela. E isso a fez sentir-se especial.
Imediatamente, lembrei do que aconteceu numa viagem que fiz com um grupo de amigos. Meus amigos foram se instalando nos primeiros acentos do ônibus, e eu fui indo pro final, pro final. Parecia automático, as pessoas foram sentando e eu me senti impelida pra o fundão do ônibus. Lá avistei uma amiga, que estava sentada no acento do meio, dos cinco mais elevados que ficam no fundo do ônibus, fui e sentei ao lado dela. Só que o amigo que ia com ela, resolveu ir no outro ônibus e ela se desculpou e foi atrás dele. Eu fiquei com a quela sensação de: Poxa!Sobrei!
 E as pessoas vinham chegando e sentando mas o lugar ao meu lado permanecia vago. Pensamento de rejeição outra vez. O ônibus ia partir, o líder da excursão subiu a bordo, fez uma breve oração. E anunciou que iria conosco, ao lado do motorista.
Resolvi que não ia perder minha viagem por isso, saquei meu mp3, fones no ouvido, me encolhi na cadeira e me preparei pra a viagem. Procurei desencanar. Foi então que a pessoa que eu mais queria que se sentasse ali naquele lugar, o cara que todas queriam, "o rei sol", o astro do meu dia, veio andando em direção ao fundo do ônibus, e sentou-se ao meu lado, fomos conversando por todo o caminho, ele brincando com minhas mãos, fazendo carinhos, sussurrando besteiras, maior clima de romance. A viagem foi inesquecível. Brincou que na volta, à noite, não queria mais que aquele lugar fosse ocupado, pediu que eu guardasse seu lugar, pois já era dele, o lugar ao meu lado. Naquele momento, era tudo o que eu queria. A pessoa que eu mais queria, aquele que no momento era "o cara", ficou ali ida e volta ao meu lado. Como toda idealização, toda ilusão, não se sustenta por muito tempo e a fantasia acabou com a viagem, mas saí dali, mais que satisfeita com meu dia.
Me perguntei o que teria acontecido se minha amiga tivesse ficado sentada ao meu lado. Ele não teria tido a chance de sentar comigo, não teríamos nos divertido tanto.
Às vezes me aborreço, reclamo com Deus por não ter nesse momento alguém ao meu lado, pra ir ao cinema, pra trocar beijos carinhosos, pra me aninhar nos braços, pra trocar afeto. Me sinto só e rejeitada, como quando com aquela incômoda cadeira vazia ao meu lado.
Então pensei: Tem horas que a cadeira ao seu lado tem que estar vazia, pra que alguém especial possa chegar, sorrir e sentar.
By Cris Vaccarezza

Honestamente

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Tenho atentado para as relações de amor, assunto recorrente nesse blog. É que há coisas que não entram em minha mentalidade tacanha, e como tudo aquilo a que eu resisto, persiste, esse assunto não sai da minha cabeça até que eu o tenha equacionado totalmente.
Eu tenho percebido a insistente atenção masculina. Mais que algo lisonjeiro, essa atenção frequente às vezes se torna até ofensiva. Ninguém quer oferecer, trocar absolutamente nada, todos querem receber. Eles me cortejam da forma mais variada, mas a intenção é sempre a mesma: Sexo.
Deus, quantas vezes tenho que dizer, nada contra sexo, muito pelo contrário!   Mas só sexo, gente? Que vazio existencial!
Eu sou um SER humano, não sou uma parte. Levei 39 longos anos pra chegar aqui. Só nessa existência terrena.Vivi muito bem toda a minha vida, pensei, repensei, tive atitudes boas, outras nem tanto, estive em vários lugares, muitas experiências interessantes. Li Nietzsche, Neruda, Kafka, Jorge Amado, George Orwell, Tati Bernardi, Lya Luft, Jabor. Eu estudei filosofia, teologia, sociologia...Fiz psicanálise. Faço terapia pra me autoconhecer, sou logósofa, sou profissional liberal, independente, mãe. Sou uma mulher, sou um ser humano diverso, complexo. Por favor, não me reduzam a uma bunda!
Tô sim, tô magoada com seu descaso! E por seu não entenda apenas o seu próprio descaso, mas o descaso de todos vocês. E vocês são muitos, são todos vocês! Eu me casei com você pra que construíssemos juntos algo de bom. Pra que juntos pudéssemos ir mais longe, lado a lado, não pra ficar acordada até altas horas e fingir que não via a hora em que você se esgueirava pra a cama, dia após dia da semana. Eu fiz dança de salão pra encontrar uma parceiro. Como a dama e o cavalheiro, ser a tela pra a moldura que é você. Pra viver uma dessas cenas de musical com um astro como você. Uma cena de musical, entendeu? Não um filme erótico, ou pornô sei lá. Eu sou sua amiga, não sou um estepe pra a sua relação que não vai bem. Sou sua parceira em momento nenhum quis ser confundida com a sua mãe, não vou resolver os seus problemas pra você, posso ajudar, mas resolvê-los, só você pode. Eu passei horas batendo papo com você pra criar um vínculo, trocar afeto. Conhecimentos, momentos de lazer. Sinceramente, gostei do seu papo. Não pra ser nivelada por baixo com quem só tem mesmo bunda pra oferecer. Eu viajei, suplantei meus medos, quebrei paradigmas, pra ficar em seus braços, pra ter seus beijos, não pra ser apenas mais uma a ficar sob seus lençóis. Eu até acredito que por baixo dessa montanha de músculos, um dele seja o cardíaco e nele pulse alguma emoção. Mas nem por isso vou deixar que meu corpo aqueça o seu nesse banho tépido de que tanto fala.
Embora o tempo passe impiedosamente, eu acredito que sempre haverá sol. Sempre haverá um recomeço, e quem sabe algum dia eu encontre alguém que veja mais que o exterior. Eu não me acho o último biscoito do saco, mas também não sou mais uma. Ouvi de quatro homens diferentes essa semana a mesma frase: Você e especial! Sou especial? Então prova! Tenta ao menos me conhecer, arrisque-se a ganhar uma amiga ao invés de uma amante esporádica.
Mulher tem que ser degustada, como vinho, não engolida a grandes goles, feito água. Eu não quero mais um garoto em minha vida, por mais homem que ele pareça ser. E não me pergunte mais porque eu estou só! Não, eu não estou só porque eu quero. Ao contrário, estou só porque vocês não querem! E entre estar só e mal acompanhada, honestamente, nada contra estar só!
By Cris Vaccarezza
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