A desbravar

Meu filho, os caminhos estão muito mais abertos do que você imagina. (Caio Fernando Abreu)
Estava me preparando para sair. Pegar a estrada sozinha, pela primeira vez. Dirigir na cidade grande. Trivial pra uns, corriqueiro pra outros. Um bicho papão pra mim! Talvez influencia do bom motorista que era meu pai na época, e da imagem de inatingível que sempre tive dele. Pra mim, ele era como um semideus. E embora o tempo tenha passado e sua imagem mudado, em alguns aspectos, ele ainda é. Assim, fazer o que ele fazia, sempre foi um desafio grande demais para as minhas perninhas de menina.
Fato é que após longo período de metamorfose, eu me arriscava enfim a romper o casulo do medo e tentar sair. Curso novo, uma área que sempre me interessou. Oportunidade nova. Eu tinha que tentar. E tinha também aquele motivo especial. Um novo caminho, uma nova possibilidade. Muitas incertezas. Como todo novo caminho que se preze. Estímulos que me faziam querer sair da zona de conforto e caminhar rumo ao desconhecido. Me arriscar.
O que atemorizava nessa empreitada, não era o medo do desconhecido, de me perder, de errar o caminho, de me machucar, de dar errado. Era a incerteza que eu tinha e que podia causar algum dano a alguém. Isso sim, me atemorizava. Acho que é o que atemoriza a todos, frente ao desconhecido.
Viagem marcada, agora era só esperar o horário e pegar a estrada. Foi quando no visor do celular que recarregava a bateria, apareceu essa mensagem de Caio Fernando Abreu: "Meu filho, os caminhos estão muito mais abertos do que você imagina.". um desses aplicativos de mensagens diárias me mandava a atualização do dia. Era uma mensagem linda, positiva, no momento exato. E era de Caio Fernando Abreu, alma sensível como ele só!
Eu, que nunca duvidei de que nada é por acaso, percebi que se tratava de um momento mágico. Daquelas fendas no espaço tempo em que a felicidade abre caminho e te carrega no colo. Só por um dia, mas tudo iria dar certo. Sim, os caminhos estavam muito mais abertos do que eu imaginava. Agora sim, eu sabia que aquela seria uma quinta feira especial! Tudo daria certo. E deu! Dali em diante, aquelas 24 hs foram especiais e inesquecíveis.
Eu vim, vi e vivi. Me coloquei à prova e acho que me saí bem. Tenho aprendido que o sabor da vitória é diretamente proporcional ao tamanho do desafio. Existem os dissabores, claro. Nada na vida é doce o tempo todo. Nenhuma estrada é sempre reta. Mas acho que no final do caminho, tem sempre um pote de ouro, do tamanho da nossa realização. O pote de ouro do aprendizado que fica. É isso que importa.
A viagem, o encontro, o local, a música, a companhia...tudo, como um sonho! Pena que durou só 24 hs. Mas quer o que? Foi mais de Cinderela que foi só por uma noite. Quem disse que o mundo é perfeito! Aprende a ser grata que valeu! A Caio, mais uma vez, uma prece! Que Deus te proteja e guarde! Obrigada por mais uma vez ter proporcionado um momento de reflexão nesse meu caminho!
Por Cris Vaccarezza

2 comentários :

Edson disse...

Cris, vc é linda! Amei o texto, muito obrigado por me fazer ciente da existência dessa preciosidade! Minha gratidão.

Cris disse...

Obrigada a você, Edson, pela leitura, pelo comentário, e pela generosidade! Sinta-se em casa!Beijos

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