O zouk da rosa flor

Um dia uma mulher se levantou no salão repleto. E em meio à multidão que balbuciava conversas paralelas, pediu a palavra. Um dia uma rosa se elevou do matagal agitado, e se fez anunciar!
Um dia uma mulher se levantou e me ofereceu uma rosa. "Uma rosa cor de rosa, uma rosa pra você. Uma rosa, cor de rosa, pra você não me esquecer". Com as mãos, entrelaçadas, ela desenhava uma rosa e oferecia com tanta intensidade, que por instantes não houve no salão quem não materializasse a rosa, pálida e orvalhada em suas mãos. Por instantes não houve quem não sentisse o aroma delicado da rosa que ela oferecia. Era dia das mães, de um ano conturbado. Talvez aquele fosse o presente mais sincero que muitas daquelas mães viessem a receber naquele ano. E o perfume das rosas que distribuiu, que tão docemente ofertou e repartiu, permaneceu em suas mãos. Foi assim que a conheci de perto, ganhando mais que uma amiga, uma rosa. Amizade é sim presente caro. E muito raro nos dias de hoje.
Até então era apenas uma figura que deslizava pra lá e pra cá. E passava a imagem de força, personalidade. Até então, era alguém que passeava seus cachinhos cor de mel ao vento, alheia aos outros. Com sua postura esguia. Com seu ar imponente de quem sabe o que quer. Dali em diante, se tornara a mulher da rosa. Uma rosa, em figura de mulher. Repleta de cheiro, beleza, mas também, dona de alguns espinhos. Quem não os tem? Dali em diante, sua singeleza nos encantou. Conheci uma mulher de voz firme, que quando fala, faz calar. Mas é quando canta, que faz-se encantada.
Lembro que repassei a rosa adiante, não com o mesmo brilho, a mesma verdade, o mesmo tom de voz. Mas com a mesma vontade de fazer nascer um sorriso, num rosto sulcado pela dor. Ou uma flor de otimismo, num jardim de desamor.
Hoje sei que a graça não lhe adornou apenas a voz. Hoje, que tive a alegria de conhece-la de perto, sei que sua alma de poeta também se realiza na dança. E foi em Porto Seguro, ao som de um Zouk, que vi que era da alegria de menina que sua alma se enfeitava, era exatamente dali, que sua rosa brotava.
Hoje, sei que é gente, como eu, construída de sonhos. Cheia de altos e baixos, de duvidas escondidas sob o tapete; de alegrias e desafetos, de pressas e ilusões. É mais uma mulher, mais uma Maria, guerreira, graciosa, amiga, inteligente, lutadora, fiel. E dona, não só de uma rosa cor de rosa, mas de um jardim repleto de cor!
Por Cris Vaccarezza

3 comentários :

Amor_perdido disse...

Dá para acreditar que esse texto foi escrito para mim? Como diria Fábio Júnior: "Eu choro..." mas é de pura emoção, por ser merecedora de uma amiga tão sensível quanto a poeta Cris Vacarezza. MINHA AMIGA.

Amor_perdido disse...

Dá para acreditar que esse texto foi escrito para mim? Como diria Fábio Júnior: "Eu choro..." mas é de pura emoção, por ser merecedora de uma amiga tão sensível quanto a poeta Cris Vacarezza. MINHA AMIGA.

Cris disse...

Sim, dona moça da rosa cor de rosa. O texto é pra vc! E vc merece. Seja sempre essa presença radiosa na vida das pessoas. Uma amiga presente.

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